sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Os pastores de hoje devem ser sustentados por suas igrejas?

Para entendermos o sistema de sustento pastoral na era da Igreja é importante destacarmos os seguintes pontos: 1º) Jesus e seus discípulos viveram no período de transição entre a lei e a graça; portanto, a Igreja como a conhecemos hoje ainda não existia; 2º) A Igreja de Cristo teve seu início com o advento do Espírito Santo; 3º) As doutrinas que se referem ao sustento ministerial no Novo Testamento foram ensinadas pelo apóstolo Paulo por volta do ano 57 d.C.; 4º) Os crentes das Igrejas no seu início, não tinham toda a Bíblia escrita como nós a temos hoje. Portanto, é possível, através de um estudo cuidadoso das cartas de Paulo, principalmente da sua primeira carta aos Coríntios, em especial o capítulo nove, entendermos a vontade de Deus para o sustento ministerial dos Seus servos para os dias atuais. Análise de 1 Coríntios 9.1-17: Logo no primeiro versículo de 1 Coríntios 9, Paulo defende seu apostolado, deixando claro para os membros daquela igreja que eles mesmos eram frutos do seu trabalho no Senhor. No versículo 2, Paulo diz: “vós sois o selo do meu apostolado no Senhor”, ficando evidente que os crentes da Igreja de Corinto não honraram Paulo, como deveriam ter feito. Paulo continua seus questionamentos: A) “Não temos nós o direito de comer e beber?” (Verso 4); B) “Ou somente eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?” (Verso 6); C) “Quem jamais vai à guerra à sua própria custa?” (Verso 7); D) “Quem planta a vinha e não come do seu fruto?”(Verso 7); E) “Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?”(Verso 7). Essas interpelações levaram os crentes de Corinto a uma reflexão com relação ao chamado de Paulo, levando-os a reconhecer o ministério apostólico de Paulo. Ao reconhecerem, deveriam entender que Paulo tinha o direito de ser sustentado materialmente por aquela igreja, afinal a mesma era fruto de seu apostolado. As afirmações: “Quem jamais vai à guerra à sua própria custa”?; “Quem planta a vinha e não come do seu fruto?” e “ Quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?”, são fortes e despertam os ouvintes a uma refelxão. Paulo estava dizendo: Eu tenho direito de ser sustentado materialmente e financeiramente por vocês, entretanto, nunca usei desse direito. Nunca os obriguei a me sustentarem. Em seguida Paulo cita a Lei: “Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa?” (Verso 9). Observe que Paulo traz à memória um princípio do Antigo Testamento, visando mostrar a vontade de Deus com relação ao sustento ministerial para o Novo Testamento. Pelo princípio, podemos entender claramente que Paulo poderia reivindicar seu sustento como um direito e um princípio doutrinário estabelecido por Deus. Observe agora a seguinte afirmação de Paulo: “[...] pois o que lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devido” (Verso 10). E ainda: “Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?” (Verso 11). “Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento?” (Verso 13). “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho; [...]” (Verso 14). Fica evidente, pelos versículos acima que Paulo estava doutrinando a Igreja de Corinto sobre o sustento ministerial. Da mesma forma que um trabalhador tem esperança de receber o seu salário no final do mês, assim aquele que presta serviços sagrados. Dentro da visão de Paulo, a qual foi inspirada pelo Espírito Santo, aqueles que semeiam coisas espirituais são dignos de sustento material. No verso 13, Paulo se apega novamente a outro princípio do Antigo Testamento: “quem serve ao altar do altar tira o seu sustento”. Observe a ênfase doutrinária referente ao sustento ministerial no versículo 14: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho; [...]”. Não resta dúvida então, que da mesma forma que os sacerdotes e levitas eram sustentados pelas demais onze tribos, os pregadores do evangelho – homens sérios e convictos de um chamado, comprometidos com uma igreja local –, devem ser sustentados pela própria igreja local. Entretanto, a questão a se discutir agora se refere aos meios usados por Deus para esse sustento.

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